ALICE NO PAÍS
DOS BEATLES

Um convite para fazer um “musical jovem” para estrear no verão de 2008 caiu como uma bomba na nossa cabeça. O que é “musical jovem”? Algo sintonizado com a música que toca no rádio hoje? Nas raves? Nós somos quarentões, gente!! Alguém aí sabe dizer o que é exatamente música jovem hoje em dia?

Oferecer um espetáculo com canções dos Beatles vai soar meio anacrônico e fora da proposta? Os Beatles começaram a fazer sucesso quando nós estávamos nascendo, década de 60!!! No entanto, o que é mais vivo e mais atual do que aquela juventude que não passa? Não envelhece um minuto. Do iê iê iê ao lisérgico, passando por acordes indianos e tantas rupturas estéticas, nada cheira a naftalina e não há hora da saudade com eles.

Pois assim foi. O verão chegou e nossa pequena “fantasia com as canções dos Beatles” se tornou o maior sucesso da temporada - seis sessões por semana era algo que o Rio não via há mais de 20 anos. Pois o verão foi embora, tivemos uma breve passagem pelo gigantesco Teatro Guaíra no Festival de Teatro de Curitiba com lotação esgotada, e agora estamos de volta já sob o céu do outono que se anuncia. E quem sabe quantas estações nos encontrarão aqui ainda?

É nosso musical mais simples... Um elenco de 11 cantores/atores, recurso cênico praticamente nenhum, nenhum texto, apenas as canções com suas letras originais em inglês. Acompanhamento luxuosamente simples de piano, violoncelo e alguma percussão.

Fio condutor? Há algum sim, mas que certamente não é didático nem cronológico. Se querem uma historinha, imaginem Alice na toca do coelho...  A chave que vai abrindo portas grandes para mundos pequenos, e vice-versa. Seria isso, cada quadro do espetáculo representa – ou insinua – uma parada da viajante: o sonho; a fuga; a descoberta; o amadurecimento; a volta.

Os Beatles eram fãs fervorosos de Lewis Carrol e de Alice no Pais das Maravilhas...

Alice fala o tempo todo de Tamanho e de Labirintos. De ritos de passagem. Como os rapazes de Liverpool. Alice quer entender o seu tamanho nesse mundo. Diante das coisas. O sentimento de ser mínimo em alguns momentos e gigante em outros. Talvez por isso mesmo a obra deles ainda seja tão jovem e tão genialmente simples... Pois o mundo mudou, mas esses questionamentos não. Isso sempre permanecerá jovem: eterno!

E para aqueles que não precisam ou não querem a historinha - são diamantes apenas, os mais bem lapidados que a música pop já produziu até hoje. Alguns aparecem aqui na íntegra, outros apenas trechos, frases, estrofes...
Se fomos jovens na escolha e na idéia? Certamente que não... Mas quem se importa?

Charles Möeller & Claudio Botelho